O desafio de entender e desconstruir hábitos e vícios alimentares





Os hábitos alimentares diários de grande parte da população mundial matam mais que o cigarro, afirma o estudo feito em 2017, pelo The Lancet, uma revista médica internacional.  A pesquisa confirma que 11 milhões de mortes foram atribuídas a má alimentação da população. Alta ingestão de sódio, baixa ingestão de grãos integrais e de frutas foram os principais fatores de risco alimentar para mortes em todo o mundo. Os pesquisadores concluem que uma a cada cinco mortes são causadas por vícios e maus hábitos comuns de alimentação.
         O que efetivamente são hábitos e vícios alimentares?  Segundo Carolina Vasconcellos, Health Coach formada pelo Institute for Integrative Nutrition (IIN-NY), hábitos não saudáveis são efêmeros, prazeres momentâneos, que logo depois percebemos o mal que podem causar. “Comer um hambúrguer, sentir o prazer naquele momento e logo depois se sentir entupido, sentir que aquilo não foi tão prazeroso. Ou então ficar acordado até muito tarde mexendo no celular, e no dia seguinte pela manhã, perceber o quão desnecessário foi”. Mudar essa prática tão comum da sociedade é um desafio diário dos profissionais da área, primeiro é preciso identificar o gatilho daquele mau hábito, quando e em que situações as pessoas tendem a praticá-los. “Root cause”, o termo atual que identifica, como uma solução eficaz, ir até a “raiz” do problema, não pensar apenas no hábito em si, mas sim entender que ele está interlaçado a diversos fatores que precisam também de atenção.
         Carolina, propõem aos seus clientes que desconstruam esses vícios e mitos alimentares, “Eu trabalho junto com os meus clientes, criando com eles um plano de ações completamente personalizado, baseado nas suas principais metas para tornarem-se suas melhores versões”. A estudante de jornalismo, Isadora Tanus de 20 anos, completou o programa de reeducação alimentar com sucesso, abrindo mão do açúcar, carne e frango por 30 dias, experimentando na última semana com uma dieta 100% vegana. “O que me deixou mais satisfeita foi a sensação de saber que eu estava me esforçando, me dedicando para um resultado totalmente pessoal! Na minha opinião, não tem nada melhor do que cuidarmos de nós mesmos... Da nossa cabeça e do nosso corpo! Não dependo de carne e nem do açúcar! Eu achava que era dependente de Mate, de carne..., mas entendi que é só uma questão de hábito!”.
         O hábito está ligado a frequência, o corpo se viciar durante anos a consumir certos tipos de alimento, dificulta o processo da reeducação alimentar, mas nunca é tarde para mudar. O advogado Roberto Vaconcellos, de 59 anos, cliente e pai da Health Coach Carolina, também fez o programa da filha, se desfez da carne, do frango ovo, leite e seus derivados, alimentos que faziam parte de sua rotina alimentar. Ele perdeu 15kg em 5 meses, “Essa opção é eterna, para toda a vida, o que me deixou mais feliz, foi como minhas dores nas articulações diminuíram”. As mudanças com certeza vão além de alguns quilos a menos na balança, “Sua autoestima, se sentir melhor. O esporte é melhor, o surfe é melhor, tudo fica melhor. Você se sente imbatível, realizar aquilo que você se propõe, assumir uma jornada desse tipo e levar até os 15kg como estou levando, e não pretendo sair, você acredita que pode tudo, e pode mesmo!”  
         Uma pesquisa feita em 2017, através da parceria entre a marca de complexos vitamínicos, Centrum Vitamints e a unidade de pesquisas online do Ibope Inteligência, o Ibope Conecta, apontou que mais de 80% das pessoas não possuem uma alimentação regrada. No entanto, a pesquisa também revela que 95% dessas pessoas estão dispostas a mudar pequenos hábitos em suas rotinas para serem mais saudáveis. Em 2019 começamos a enxergar mais mudanças, de acordo com dados levantados pela Kantar Worldpanel, e publicado no site da Revista Direito, em maio de 2019, 27% dos lares brasileiros afirmaram que estão fazendo mudanças na alimentação, inserido mais frutas, sucos naturais e diminuindo o consumo de carne vermelha, açúcar e refrigerante em suas alimentações diárias.
Entretanto, ainda temos muitos índices negativos sobre a alimentação dos brasileiros. Foi divulgada a edição de 2019 do Bloomberg Healthiest Country Index, que classifica 169 países segundo fatores que contribuem para a saúde geral da comunidade. O índice classifica os países com base em variáveis como expectativa de vida e penaliza as nações a partir de riscos como uso de tabaco e obesidade. Além disso, o levantamento leva em consideração também fatores ambientais como o acesso a água potável e ao saneamento. O Brasil ocupou a 76ª posição, Espanha e Itália ocupando respectivamente o primeiro e o segundo lugar. Segundo a nutricionista Cynthia Howlett , “O brasileiro trocou o arroz e feijão, pelo Fast Food e pelo salgado da padaria. Antigamente as mulheres ficavam mais em casa, pelo contexto histórico, cozinhar e ter comida caseira era mais comum. Hoje vivemos uma nova realidade, em que as pessoas não têm mais tempo para comer em casa, e acabam optando pelas opções mais práticas, com menor custo e consequentemente menos saudáveis.”   
         A angústia que aparece junto com a vontade de mudança, faz com que as pessoas esperem resultados imediatos e se privem de comer alimentos que estão muito acostumados. Cynthia segue uma metodologia fiel ao equilíbrio, “Hábitos são criados desde de pequeno, para mudar tem que ser de forma gradual. Não adianta fazer nada radical, porque não se mantém, é importante ir substituindo produtos e ir provando coisas novas, mostrar ao seu paladar que existem outras opções além das que ele está acostumado e viciado.”

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